O número de hospitalizações e os custos com as internações hospitalares apresentam perspectiva de aumento expressivo nas próximas décadas, com a tendência observada do envelhecimento populacional. Doenças cardiovasculares (29%) e infecções (16%) constituem os principais motivos para admissão hospitalar em idosos, sendo a pneumonia e a septicemia (infecção generalizada) as principais causas infecciosas. 

 
De acordo com dados da Agência Americana para Pesquisa e Qualidade na Saúde, pacientes com 65 anos ou mais correspondem a 13% da população americana e representam 40% das hospitalizações de adultos, além de 50% dos custos com internações nos Estados Unidos. Além disso, indivíduos com 85 anos ou mais (1,8% da população) foram responsáveis por 8% das admissões. Idosos apresentam ainda uma média de permanência hospitalar de 5,5 dias, enquanto em jovens entre 15 e 44 anos essa média cai para 3,7 dias. 
 
A hospitalização do idoso apresenta inúmeras situações com potencial de resultar em consequências adversas na qualidade de vida. Em geral, estão relacionadas à excessiva permanência no leito, uso de sondas e cateteres, alteração do padrão do sono e perda da capacidade de alimentação sem auxílio. Esses quadros potencializam o declínio físico e intelectual do idoso.
 
Enquanto a quase totalidade dos pacientes jovens retornam para suas casas e atividades habituais após a alta hospitalar, essa não é uma realidade para a maioria dos idosos. Pacientes com idade superior a 85 anos, principalmente, necessitam de adaptações no domicílio para adequação após a alta hospitalar. Considerando que muitos idosos apresentam uma situação limítrofe entre a independência e a dependência funcional, em decorrência das limitações da idade e comorbidades associadas, um pequeno declínio durante a internação pode levar a uma nova situação de dependência.
 
Algumas medidas, a maioria delas não exigindo complexidade para serem adotadas, podem reduzir expressivamente os danos e melhorar a qualidade de vida do idoso. Durante a internação, a imobilização prolongada e a restrição ao leito acentuam a perda de massa muscular e a fragilidade óssea. Isso aumenta o risco de quedas, estados confusionais (delírium), úlcera de pressão e eventos tromboembólicos. Estudos também mostram que a melhora da mobilidade durante a baixa está associada à redução da mortalidade nos dois anos seguintes à alta hospitalar.
 
A piora da condição nutricional, comumente associada a internações prolongadas, apresenta diversos fatores desencadeantes. Destacam-se o delírium, efeitos adversos de medicamentos, dificuldade para alimentação sem auxílio e jejum prolongado para realização de exames. Até mesmo a falta de acesso a próteses é condição que predispõe o idoso à desnutrição e suas consequências, como maior risco de infecções, fragilidade muscular e até mesmo óbito. 
 
Compreendendo a população idosa, suas principais demandas e necessidades, é possível, com cuidados simples, proporcionar melhora em sua qualidade de vida durante a internação hospitalar – e, principalmente, no pós-alta.
 
Géris Mazzutti
Médico do Residencial Geriátrico Solar Anita Garibaldi
 
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